Zabel Moita nasceu em 1940, no aglomerado
urbano da Igreja Nova, em Aljezur, residindo na zona antiga da mesma vila, futuro centro histórico. Possui a
Galeria "Manusfactum" exposição e venda, ligados ao atelier na Rua 25 de Abril, n.º 130, "terminus" sul da
poética vila onde nasceu, defende e muito ama.
Iniciou a sua actividade artística como decoradora de interiores, poetisa, estilista e cultivando com esmero a
gastronomia, não apenas a regional como a confecção de novas iguarias cujas demonstrações já patenteou na TV.O casamento com o artista Ernesto Silva pode ter influenciado a sua arte cerâmica, que se revela nos primeiros ensaios com pequenas figuras femininas, que poeticamente apelidou de "Espantadinhas". O percurso da sua actividade firmou-se depois em temas da vida e do viver a que juntou o tema mítico na celebração figurativa de Cristo. São notáveis os seus presépios, as ceias e os crucificados. Se os primeiros são conjuntos escultóricos de rara beleza os crucificados possuem o inédito de uma figuração poética pela dilatação dos cravos e pela exposição do sudário. Cultiva com especial carinho a interpretação do frade Franciscano Santo António de Lisboa, pela poesia inerente à figura e pelo encanto do seu acompanhante, o Menino Jesus. A abstracção domina também a sua arte, e é vulgar aparecerem-nos interpretações de "desalento", "angústia", "incógnita", "vaidosa", "nada", "renovação", "resquícios de guerra"...ou uma vivência irreal de "bruxas" e "bruxedos" noambiente negro de uma dança macabra. Pela inspiração poética as suas criações plásticas são muitas vezes acompanhadas não de um poema interpretativo mas de onda inspiradora que permite um diálogo entre a rima , o sentimento e a expressão formal e cromática. A paleta utilizada possui tonalidades nimbadas pela própria poesia. O círculo de entendimento, facilitado por estas razões surge em lógica apreciação, o mesmo que dizer, em juízos de valor da sua arte. |